Terça-feira, 16 de Junho de 2009
Devaneios

Sussurro o teu nome pelas paredes da casa, espero que alguém ouça e te vá chamar. Vagueio pelos compartimentos vazios à procura do silêncio. Tenho a cabeça cheia de imagens tuas, não as consigo calar.

Sento-me à mesa, pego na caneta e tento pintar umas palavras para que as possas ver quando chegares. A mão quer escrever, mas a caneta não consegue passar pelas imagens, que parecem guardas no interior da minha mente.

Se ao menos estivesses aqui!

Desisto da escrita e vou para a sala ver televisão. Ligo e está a passar um documentário sobre acidentes de trabalho. Talvez me distraia de ti um bocadinho. Um pequeno bocado que seja.

Acordo em sobressalto com o som das chaves na ranhura da porta. Por pouco não arranhava o tecto. Desligo a TV e fico em pé, no corredor, imóvel, à espera que me vejas.

Olha para aqui, penso eu. Vais na direcção oposta deixar as compras na cozinha. E eu ali, imóvel, à tua espera.

Passados alguns segundos, vou ter contigo, já não aguento mais estas imagens a explodirem na minha cabeça.

Viras-te e vês-me a olhar-te. Largas as compras com que estavas a enfeitar as prateleiras e caminhas na minha direcção. Eu encosto-me à parede para não cair. Esqueci-me de comer e tenho tonturas. Agarras-me e sentas-me no sofá da sala.

Num instante tiras o saco do pão e preparas-me um lanche. Levas tudo e ficas a ver-me comer.

Levanto-me para arrumar a loiça, pegas-me na mão, levantas-te e colocas os braços à volta da minha cintura, puxas-me para ti e misturamo-nos. Largas a cabeça no meu ombro e apertas os braços com uma força tal... Perguntei-te se tens medo que te fuja. Soltas um riso e voltas para a cozinha para acabar de arrumar as compras.

Lavo e limpo a loiça. E olho-te. Estás aqui, finalmente, penso. Chego a ti, pego-te na mão, olho-te nos olhos, mexes-me no cabelo, olhas-me, aproximas-te mais um pouco e tocas os meus lábios com os teus. Que engraçado, as imagens fugiram, a minha cabeça está livre outra vez. "Que imagens?" -perguntas-me. Conto-te noutro dia.

Olho para o chão da cozinha, vestido com as nossas roupas.

Dançamos ao som do amor e fazemos a nossa música.



publicado por kdoroteia às 17:16
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